segunda-feira, 26 de julho de 2010

de coracao cinza, mas com arco-iris dentro.

e sobre ti que contarei?
digo do teu sexo gostoso, do teu modo excitante de tocar em meu clitoris, da tua cara de menino-safado a me olhar toda nua.
foi bem interessante como tudo comecou, eu estava instigada, a sublimar minhas energia para outrem. tu parecias desejar meu abraco, minha presenca.
encontravamo-nos, entao, para um filme, bem rapidamente. ainda nao tinha tempo pra ti e dizia que nem pra mim, mas percebo o quanto aquele tempo era meu. como eu gozava com meus estudos, a conquistar meus objetivos e metas.
pouco depois, passei a achar legal estar com voce. eu fui aprendendo a te desejar. isto me ensinaste. dessa vez, nada foi forte, de supetao e avassaldor. rolou um equilibrio. pra mim, foi frio, ameno e cinza com momentos vermelho, cor de tesao. e quando surgiam esses momento, eles foram sim aproveitados. foi massa fazer massagem em voce e receber depois uma massagem meio erotica: ai... tuas maos e dedos a deslizar em meu corpo, do cantinnho de dentro das pernas a subir e passar pela minha periquita, bunda ate o comecinho das costas. sentia minha vagina super aberta, molhada. minha vontade era de trepar cinquenta vezes com o pau maior do mundo, ou contigo todo. dias depois, gozei tres vezes de uma so vez, e toparia mais tres. alias, contigo trepar sempre tinha gosto de quero mais, embora muitas vezes silenciasse. contigo sentia-me mais timida.
menos quieta me peguei quando transamos e eu estava inspirada no banquete de ze celso. puts. criticas a parte, mas a energia sexual que ficou em nosso corpo foi foda. e fudemos tao diferente, nos chupamos acho que pela primeira vez.
nao sei, mas uma vez me disseste que pensar em sexo todo o tempo era uma doenca da sociedade contemporanea. te digo: contigo entao adoeci. interessante, pois nao sou assim. ou melhor, contando essa historia passo a conhecer mais outra ana flora: a ana flora doente de sexo. E que sao as mais fortes recordacoes. inclusive te falei quando conversamos que com voce nao conseguiria construir relacao de amizade. contigo eu quero sexo.
bem, estou com exageros. foi a concentracao de libido dentro de mim que aumentou ao falar sobre tudo isso.
bom conhecer voce, descobrir que nao sou a unica no mundo que sinto essas coisas, ou que cala “as coisas”. legal encontrar mais alguem aqui nesse fim de mundo que nao valoriza os trinta anos de amizade tao enfatisados por tantos. foi bom me sentir livre quando (nao) estavamos juntos. pena que nao conseguiste o fazer tambem. bom aprender com voce, ouvir tuas palavras. as brincadeiras e as esquisitisses ficavam de maos dadas dentro de ti.
mas o mais bacana foi em tao pouco tempo ter a impressao de que te conheco mais que tu mesmo, e saber que a cada segundo nao es mais o mesmo. nem eu.

e isso tudo durou o tempo suficiente, que passou e nao e mais o mesmo tambem.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

apaixolteira.

sempre tive o espírito de solteira. Vida leve, fácil, sem instaisfações relacionais, ou divisões de bens e de momentos.
transar?
não. nunca me lancei a uma paixão por conta do sexo. sexo sempre foi fácil, despretencioso, descompromiçado, gostoso e com tesão.
encontrar um cara bacaninha, bom de cama, para fumar um e curtir uma noitada é mais fácil que descascar uma banana.
eu, minha solteira, saio com quem quero, para onde quero, quando e como quero. transo com tres numa semana sem pensar no dia seguinte. é muito bom. so da eu... livre, leve e solta!
e bruscamente me vejo te lembrando: plim. a cada segundo vens em minha cabeça.
que esquisito!
a espera de tua mansagem ou sinal de fumaça, olho meu celular 500 vezes por dia (eu que tanto esquecia o telefone em casa).
ontem, quando conversava sobre ti com minha irmã, esqueci de freiar o carro quando o semaforo ficou vermelho.
ontem, ao receber tua mensagem dormindo de madrugada, passei horas acordada lembrando dos nossos coloridos dias de carnaval.
tive que me acordar às cinco no dia seguinte para a yoga.
é bonito, mas tenho tanto medo de uma desconexão entre nossas sintonias. defendo-me, entao, e digo que queria passar mais um tempo solteira porque é bom. mas meu coracao me joga para estar contigo agarradinha, te beijando, fazendo um cafuné, um dengo enquanto dormes ou dormimos. queria trepar contigo de novo, desta vez sem embriagez.
ainda nao sei o que faco. por enquanto te aguardo aqui com os olhos brilhando, a sorrir, com você na cabeça. pois, ja te contei do quanto meu coração pulsa quando tu ta aqui dentro. ´
E até quando?
é... isto eu nao sei.

a despedida

transamos
duas, trez, conco vezes
devagazinho

amamos
na terra, no mar e no céu
com carinho

papeamos
sobre política, planos e psicologia
tão bonitinho

voamos
fumados, malucos, juntos
e sozinhos

beijamos
de ponta-cabeça, apaixonados
bem gostosinho

brigamos
irritados, inquietos,
odiosos, ivejosos,
desiguais, mortais.
um inferninho

sem volta!

de anos para cá.

todos os dias são iguais: desperto-me contrariada, está ainda muito cedo, fecho os olhos e viro-me na cama. subitamente levanto-me atrasada, passaram-se já trinta ou quarenta minutos, porém despreocupada me arrumo, pois não serei privada de aprender grandes coisas por isto. sem vontade caminho até a parada do ônibus. viajo. durmo novamente. acordo com qualquer mal educado batendo com seu cotovelo em minha cabeça. não me pede perdão. suspiro. conto até dez para não reclamar daquele homem fedorento possuidor de sofridas expressões em seu rosto... também para não levar pancadas machistas e preconceituosas. respiro, durmo, e vejo em preto e branco garotos violentos batendo em meninas que aspiram aprender manobras no skate dos irmãos. Um buraco na rua e um bruto freio abrem-me os olhos e nada mais de útil posso fazer ate que chegue ao meu destino. logo estou na universidade. atento ao professor ou a qualquer pessoa que se diz ter estudado um pouco mais: nada de novo e empolgante. pontuações sao repetidas desde meu primeiro período. indago-me sobre as mascara dos alunos: aprender pra que? se estou já na universidade e preciso apenas de um corpo sarado, do último celular, de uma roupinha descolada, do carro no estacionamentoe de qualquer dinheiro que pague a cachaça do fim de semana. Também, claro, de alguém para trepar de qualquer maneira no ambiente privado, e depois me gabar para o público do jeito mais aparente possível. volto entao a dormi e fecho os olhos pra essa realidade. ouco o barulho do intervalo, graças a deus. conto cada segundo que falta para sair daquela universidade de brancos felizes, saudáveis, interessantes, heterossexuais, limpos, inteligentes e "cheios de valores". necessito utilizar o toalete, corro. não há filas e sim tumúlto, competicoes e brigas por espelhos. encontro então na privada um cesto de lixo que impossibilitou sua funcionalidade, no segundo banheironão havia papel higiênico e eu estava menstruada. o terceira deveria ser utilizada por deficientes físicos, “os fantasmas” daquela instituição: aquele banheiro era um verdadeiro depósito de pano de chão sujo, de baratas, de baldes com lama, de madeiras e papeis espalhados por todos os lados. Me mijando nas calcas subi as escadas, tapei meu nariz e olhos - nada de respiração, cores ou cheiros: apenas merda. volto à minha classe e um aluno qualquer grita saltitante, informa que o problema de saúde do professor se agravou: todos retornarao a suas casa mais cedo.
a casa dos meus pais é a casa da alegria: não se pode estar triste, a solidão não tem espaço, eu tenho que estar sempre atendendo suas expectativas: tenho que sorrir, tenho que conversar, tenho que me organizar, tenho que estudar, tenho que ler, tenho que me interessar por atualidades publicadas nos jornais... na casa dos meus pais eu não posso ser, eu apenas finjo. as vezes ate internalizo que sou um exemplo de garota. na casa deles ligo o computador e escrevo qualquer coisa que possa fazê-los pensar que estou estudando. tranco-me no meu quarto, mas estou na casa deles e logo invadem “meu” espaço sem pedir permissão: recebo ordens. papai e mamae não pedem favores. Angustiada, coloco qualquer música no volume tal que não me permita ouvir aquele mundo chato e desrespeitoso lá fora: choro, sinto e morro. eu morro.
sobrevivendo leio qualquer livro ou bula de medicamento que faça o tempo passar mais rápido. navego por um site da vida bonitinha e interessante das outras pessoas: suas vitrines estão sempre mais belas e interessantes que a minha. mudo o vício, conecto-me ao messenger. baterei papo com amigos.
eita, eita... encontrei uma motivação: o amor. vou me apaixonar, quem sabe não volto a acreditar nesta ilusão; encontrarei um "mocinho super", compartilharemos momentos juntos, transaremos, ele dirá que sou legal, bonitinha, que estaremos sempre lado ao lado, sonharemos cor de rosa, rolará altos carinhos, um dia dirá que sou legal e que passaria no mínimo uns 20 anos dormindo comigo: tudo que não acredito.
ficarei só: bem melhor pra mim.
estou amarga, sinto que vivem por mim, eu me deixo ser vivida.
meus dias são os mesmos, sempre.
fins de semana todos saem para os mesmo lugares, encontram as mesmas pessoas, vestem as mesmas roupas, falam sobre as mesmas coisas, bebem pra caralho, paqueram um pouco e esta é a rotina dos fins de semana. Plim. vive-se a espera desses dois dias: o sábado e domingo. e só, mais nada.
sim, mas tenho que acabar de dizer como são meus dias (in)úteis, de segunda a sexta. A tarde, na casa dos meus pais, uso o computador, leio, escuto música e vou fazer alguma atividade física pois dizem que faz bem a saúde, mas a verdade é que as pessoas almejam um corpinho escultural: a época do culto ao corpo. O corpo temporal que envelhece, perde água, se enche de peles e rugas, e que cada vez mais são escondidas. o corpo que se putrefa e que se decompoe onde ninguém devia ter saído: no solo. E mesmo assim ainda faço exercício físico. volto pra casa e comemoro porque o dia passou, e porque amanha ja será o outro dia. Igual a todos...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

02:02

chega essa hora da noite, madrugada adentro, me dá uma saudade de você. fala-se muito das trepadas matinais, mas acho que sempre me apeguei mais às trepadas noturnas, hora inspirada do dia, hora em que as obrigações já foram dormir, mas permanecemos atentos. saudade de ficar conversando contigo até altas horas, até que um lance qualquer, minha perna bate sem querer na tua perna, minha calcinha aparece de relance, tua boca de repente me chama e pronto, não tem mais saída. ou é só o que tem, múltiplas saídas para ir seguindo esse desejo que só faz crescer crescer c r e s c e r. isso faz uma falta, rapaz. não é só a hora da trepada, tem o antes e também o depois. a cama é o nosso refúgio, nossa igreja e nosso samba, nosso desmantelo, nossa preguiça, nosso carinho, até nossas farpas, nosso tesão, nossa timidez, nossa ousadia. depois tem tu tomando banho, a gente conversando besteira na cozinha, o tempo que não tem tempo e somos nós: às vezes me sinto a mulher mais besta do mundo.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

can you hear me?

tenho te amado gostosinho. você tem sido o que eu espero de um homem: simples, carinhoso, dedicado, independente. sei que não és só isso e que não sou também a toda hora essa pessoa satisfeita, mas tenho gostado muito de estar pertinho de tu, de perceber inclusive nossas diferenças. tô muito empenhada em aceitá-las e a não ser uma mulher dura, que cobra demais ou que quer moldar ninguém. meu desafio de vida tem sido esse: aceitar, reconhecer, enxergar as pessoas como um todo, se assim é possível. meu desejo me parece tão autêntico, que até me pego me iludindo em relação às minhas neuroses. continuo, sou limitada, tenho também minhas dificuldades, reconheço-as. não quero que a gente entre num caminho de pedras por incapacidade pessoal minha, embora isso possa ser difícil de se querer. quero poder viver bem contigo, sabendo das nossas limitações, dificuldades, diferenças, quero que a gente se dê bem, com tudo que vier junto. quero ter a alegria de resolver questões e conseguir passar por dificuldades. quero te amar nos momentos complicados. quero ter contigo uma sensação de companheirismo e de parceria de vida. amor, te quero completa, me quero completa, vamos em frente.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

que me perdoem se eu insisto nesse tema

eu te disse muitas coisas e a mesma coisa muitas vezes.
virou ladainha, as palavras se esgotaram na repetição,
teus ouvidos saturados do meu discurso saturado.
cansamos os dois.
eu cansei das palavras e cansei também do teu silêncio.
(resta o quê?).
parecia que eu falava pra paredes. então desacreditei.
você há muito parecia ter desacreditado das minhas ameaças de ir embora.
e tantas vezes eu pensei em ir embora, meu deus. tantas vezes e não fui
[que passei a desacreditar que, de fato, iria]. eu dizia
e algo me dizia assim:
é blefe.
aí tu botava all-in na mesa, dominando o jogo, sabendo que minha mão não era forte.
tu foi fazendo tuas escolhas. e tu fazia o que queria.
toquinho, no rádio, cantava assim:


Que me perdoem se eu insisto neste tema
Mas não sei fazer poema ou canção
Que fale de outra coisa que não seja o amor
Se o quadradismo dos meus versos
Vai de encontro aos intelectos que não usam o coração como expressão

Você abusou, tirou partido de mim, abusou

Tirou partido de mim, abusou
Tirou partido de mim, abusou
Tirou partido de mim, abusou



e vinícius, assim:


Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais
Da primeira vez ela chorou

Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar

Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai.
Mas deixe a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar



cansei de perdoar.
desacreditei.
resta o quê?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

seu desejo é uma ordem (ou: sou uma mulher solícita)

você me pediu muitas coisas enquanto estávamos naquela cama e fiz todas, com demasiado gosto, seu desejo é uma ordem, ou, como te disse: sou uma mulher solícita. acho uma beleza satisfazer desejos de homens cheios de graça assim como você. e você não foi nada besta, meu bem, me desarmou com elogios os mais diversos, noite adentro, afora, adiante. isso era o mínimo que eu poderia fazer, te satisfazer, me satisfazer, cair de boca, língua e o escambau, como é bom chegar as vias de fato, da carne, do prazer, do desejo, das delícias.
chupo mordo lambo faço refaço até com certa timidez ousadia às vezes viro desviro morro água gostosa gostoso geme sorrio é só se concentrar desces subo prendo e fico que delícia o tempo não tem tempo noite virando manhã a cama é pequena para nós. depois as pernas tremem, o coração escola de samba, o corpo estirado, uma chuva de suor, teu pau assim caidinho, aquela preguiça dos deuses.

vem, vem quando quiser-mos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

dia sim, dia não

Dia sim, te espero.
Dia não, desespero.
Dia sim, me enganas.
Dia não, me desengano.
Dia sim, me amas, me chamas, me clamas, me cheiras, me comes, me falas.
Dia não, tu te calas.
Dia sim, te ligo.
Dia não, desligas.
Dia sim, eu sinto.
Dia não, me ressinto.
Dia sim, ressuscitas.
Dia não, eu morro.
Dia sim, me procuras, me prometes, te perdôo, nos amamos, nos fartamos.
Dia não, tu enjoas.
Dia sim, eu exausta. Dia sim, eu grito, dia sim eu choro, dia sim abandono, dia sim me esqueço, dia sim adio, dia sin adeus, dia assim é foda,
dia desses desisto.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

uma cabeça, um coração, outras partes

nada de muito grandioso. aquela rotininha rotineira. às vezes um grande saco, em outras, algumas cores. a melhor hora tem sido a viagem de ônibus - quando vou sentada, claro - que é quando eu posso colocar música no ouvido e viajar em pensamentos, sonhos, devaneios. espacinho do dia onde me encontro em meio a um tanto em que me perco. como diria clarice: quero uma verdade inventada.
nada muito grandioso, como já disse. sempre gostei das coisas pequenas. até mesmo das coisas rotineiras - contas, pratos, shampoos - se nelas vejo uma brecha pra qualquer criaçãozinha que seja. gosto de mim para mim - não sei se é gósto, não sei se é gôsto. voltando, talvez a ilusão da não-repetição. calligaris diz: os seres humanos são mestres na repetição.
bom, fato é que pequenas coisas me apetecem, como bem falou o f. pessoa: na vida aquece ser pequeno. hoje tô cheia dos disses e dirias. a gente é mesmo um monte de gente.
e bem sei que o coração quando precisa de um tempo, dá tempo pra gente investir em otras cosas. tô falando a gente, não levem a mal. coisas que realizo com cuidadosa atenção. cosas pequenas, grandes ou médias. e também coisas sem tamanho. sonhar acordada é uma coisa sem tamanho, assim como sorrir para o espelho - ou chorar. e embora a gente viva declarando que não temos tempo, caio me tem feito perceber que: o tempo que temos, se estamos atentos, será sempre exato.
amanhã tem mais um dia. e depois tem outro. e outro.

percebi agora que falei mais das cores. algumas.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

destinatários

Quantas vezes escutei, forçadamente, suas lamentações ao telefone, até minha orelha não mais agüentar, eu querendo dormir, eu querendo viver, eu querendo morrer e você ali, dando sempre um jeito de me prender. Marina Lima aquecendo meus ouvidos depois, pra que eu não esquecesse dos laços, dos nós, das mandingas: O que é que há com nós dois amor? Me responda, depois. Me diz por onde você me prende, por onde foge e o que pretende de mim.

Quantas vezes fiquei me perguntando se era isso mesmo, eu e você, primeiros namorados, até quando? Parecia que faltava algo, clichê que fosse: experiências, pessoas, liberdades. Eu fui, voltei, você ficou. Quando voltei parece que nos perdemos, digo isso sem muito acreditar. Acho que escolhemos nos perder. Pela idade.

Como doeu a porra da primeira vez, quantas tentativas rolaram, lembro-me tanto do “graças a deus” que entoei agudamente assim que o sangue desceu, tinha enfim perdido aquele lacre dos infernos. Você foi compreensivo, querido, como sempre, o tesão era ótimo.

Eu não entendia muito a tua família, eram meio ets, meio zumbis, você não se aproximava, eles não se aproximavam, contatos forçados, não havia muita naturalidade, eu dormia muito na tua casa, mas tua casa era teu quarto. Teu quarto era eu e tu e a solidão que não se nomeia.

Como eu adorava sentar no teu colo, dispensava todas as cadeiras do mundo, desde que você me deixasse sentar em você. Dormir agarrada contigo então, nem se fala. Contigo eu aprendi a gostar de aperto demais, e eles deixavam vestígios na pele, não me importava se no dia seguinte me perguntavam das marcas, no fundo eu pensava: do que adiantaria viver sem deixar rastros?

Tu era um homem de verdade. Tu me fazia mulher. Tu me elogiava na frente dos outros, me levava pra passear no teu carro, colocava no rádio uma música e cantava, me fazendo entender que era pra mim. Mas tu era muito sentimental desnecessariamente. Fazia um bicho por uma merda que eu dissesse. Tu era inseguro e pintava de leonino.

Contigo conheci o mundo dos motéis. Brincávamos que iríamos fazer um Manual dos Motéis, com dicas e apreciações pessoais por cada canto que tínhamos passado.

Não lembro de tu ter brochado comigo alguma vez.

Lembro das primeiras vezes que trepamos, desajeitados, pareciam que tinham tocado salsa e estávamos dançando afoxé. Ríamos, sem jeito, sem graça, sem vergonha. Com a prática viria o ritmo, como aconteceu. Aprendi contigo que intimidade nos leva a um paraíso sexual. Abrir as pernas só melhora.

Não esqueço do primeiro perrengue que passei, achando que podia estar grávida de tu. Só te contei depois. Homem nessas horas só atrapalham. Tu tinha muita vontade de ter uma filha parecida comigo. Tu acreditava nisso, eu acreditava nisso, desacreditar pra que?

Escrevi tantas cartas, bilhetes, te entreguei fotos e o meu amor nelas. Nunca posso me arrepender de ter me envolvido contigo, embora tu fosse um tanto preguiçoso e relaxado. De repente se tornasse pouco para mim, eras menino, eras aquela coisa de sempre, aqueles amigos, aquelas conversas. Não estavas errado. Eu que estava querendo remexer-me.

Fiquei na merda por causa de tu, varei noites e dias procurando sinais, e nada. Me escanteasse, me deixasse no limbo, sufocada, incompreendida, apaixonada. Sem nunca ter me dado um fora, sem ter me dado um não.

Fizesse eu saber que tu ainda gostava da outra, que ela te procurava incessantemente e que tu sofria por ela.

Nunca fui num motel contigo, a gente sarrava tanto na rua, na praia, no escuro.

Brochasse umas duas ou três vezes, acho.

Me apaixonei e desapaixonei mais do que isso. Cantamos tanto Caetano.

Ademais, chorei tanto, fiquei muda, bebi todas, fui compreensiva, te dei um abraço, te entendo, te odeio, te quero, te esqueci, me mudei, apaguei teu número, teu rosto, teu pinto, teu cheiro, não apaguei foi nada, amei, amei e amei, gozei tanto, nos dias de chuva nem se fala, dancei axé, forró, pagode, sambei horrores, não conseguia chorar, assisti filme, dormi a tarde inteira, tive insônia, escrevi.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

caio,

agosto acabou e eu sobrevivi. estava certa de que setembro viria: é importante ter uma certezinha que seja (uma fé em qualquer coisa, não importa o quê, não é?) pra poder ir suportando as incertezas todas. sobrevivi aos trinta e um dias agostianos e poderia até dizer que de forma mais serena que outrora: sem usar palavras como “sempre” e “nunca” e sem arquitetar fugas de casa, da cidade, do país ou de mim. umas férias, quiçá, quem sabe. porque a gente cansa – e agosto é tão penosamente longo. mas não deixarei, caio, que agosto invada setembro. agosto já teve seu tempo, já deu seu recado, já deixou sua marca, (já enlouqueceu um cachorro) e já passou. sim, porque até a uva passa. a passagem para o outro instante é sempre iminente, clarice não me deixa esquecer.agosto se esgotou, caio. e cecília promete que a primavera chegará, mesmo que não se tenha jardim para recebê-la. agosto agora só ano que vem.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

sem título.

eu preciso contar do meu desejo teu. nos últimos dias, quando penso em você, minha excitação se alastra por todo meu corpo e pensamento: desde meu clitóris, minha vagina, vulva, buceta, bunda, pelves, bico do peito até a imagem mental da cabeça do teu pênis rígido, firme e vermelhinho. é uma energia maluca que sinto circular em meu corpo, minhas visceras, que me impele a todo segundo a te querer, a te procurar, a te enviar uma mensagem erótica convidando você pra transar comigo quatro vezes seguidas: sem parar e sem censuras – ! ai, eu quero e desejo te chupar todo neste momento!
e apaixonadamente lembro-me do dia em que fizeste exame ginecológico em mim: eu quero um ginecologista desse ao meu lado com plantão de 168h por semana!
quero trepar contigo, vem logo!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

lembrancinha

- oi!!! eu trouxe uma lembrancinha pra tu!
- sério? que legal! cadê?
- tá aqui, ó: sabe que dia é hoje? hoje faz um ano que sentamos naquele bar, onde já fomos tantas outras vezes desde então, e conversamos sobre como você estava odiando morar em apartamento porque passou a vida inteira numa casa com terraço e quintal e como você estava se sentindo um pouco claustrofóbica e oprimida pelos vizinhos que policiavam os teus barulhos e, aliás, hoje eu entendo como eles devem ter sofrido com você porque, puta merda, tu fala alto pra caralho e escuta som no último volume, hoje em dia tua audição já deve tar uns 50% comprometida! eu falei pra tu não esquecer os motivos pelos quais você tinha decidido se mudar prum apartamento e aí conversamos sobre como a cidade anda violenta e como, pra evitar os assaltos, acabamos nos tornando prisioneiros, erguendo paredes cada vez mais altas e gradeando janelas. e aí você me falou assim: mas não pense que lembrar dos motivos porque eu me mudei faz com que eu sinta menos falta do meu ex-quintal. e aí eu não soube o que te dizer e dei um gole no meu décimo copo de cerveja. aí notei você num semi-sorriso distraído e fiquei tentando adivinhar que lembrança tava visitando a tua cabeça. e aí parece que você adivinhou que eu tava tentando adivinhar e disse ah, eu tava aqui lembrando que quando eu tinha 9 anos mas aí nesse momento eu preciso confessar que eu já não tava escutando mais nada do que você tava dizendo porque eu tava viajando no desenho dos teus lábios e também segurando uma vontade danada de ir mijar. acho que você reparou que eu não tava prestando atenção porque você começou a fazer uma rosa de guardanapo, se detendo demasiadamente nisso. aí eu aproveitei e fui mijar e quando voltei tu tava no celular e aquilo me incomodou um pouco não sei porquê. quando eu sentei, vi que tinham chegado os bolinhos de bacalhau que eu já nem lembrava que a gente tinha pedido. nesse dia eu fiquei pensando que bacalhau devia ser afrodisíaco porque depois dele a gente começou a conversar umas putarias entre gargalhadas que faziam parte de um jogo de a gente fingir que não sabia como seria o fim daquela noite. certamente não no teu apartamento, pra não incomodar os vizinhos. quando veio a conta, você teve que pagar ela inteira porque a máquina do cartão tava quebrada e eu não tinha dinheiro vivo e eu reclamei com o garçom como é que vocês não avisam isso logo no começo?! e você disse fica tranquilo mas eu tava me sentindo super humilhado no meu machismo. depois fomos ao meu apartamento e eu passei três minutos tentando abrir a porta de casa com a chave do carro e você riu longamente do meu estado, como se você não estivesse tão bêbada quanto eu. depois não tivemos tempo de chegar no quarto e transamos pela sala mesmo, e eu fiquei surpreso com uns truques seus e rimos um do outro durante o sexo, como tivéssemos a intimidade de velhos amantes. depois tu tomou banho no meu banheiro enquanto eu fui rapidamente na geladeira e comi um pedaço de pizza frio enquanto pensava em você e começava desde já a sentir a tua falta. hoje faz um ano que eu me apaixonei.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

viver e escrever

c.,

também achei o dia bom, tanto ontem como hoje. fiquei feliz que você se esforçou pra sair de casa, já que você disse que tava precisando se distrair. fiquei feliz também de lhe ver, claro. e já fico meio assim sem saber quando vou te ver novamente, já que estás nesse clima meio vulnerável. às vezes tenho vontade de sair/ficar a sós contigo, pra conversar até mesmo sobre essas coisas todas da vida, e nos acalentarmos mutuamente, e cá entre nós, é tão melhor que msn. mas tenho ficado mais quietinha depois da nossa conversinha, ao menos tenho tentado. até porque é importante que exista vontade também do outro lado, do seu. andei lendo umas mensagens antigas tuas no celular, e me deu uma saudadinha, sabe? de como a gente tava, das coisas que você escrevia. não quero ser egoísta, c., de jeito nenhum, sei que o que estás passando não é fácil e não quero ser uma coisa a mais pra lhe entristecer, muito pelo contrário. minha vontade só é lhe dizer: vai passar, vai passar. e vai.
quando tu saiu daqui hoje eu tava bem, sabe. tava um dia aconchegante. o filme me deixou ainda mais aconchegadinha, me emocionei, fiquei reflexiva. de tarde dormi e acordei já de noite, um pouco atordoada pelo sono e por lembrar que era domingo. pensei em você e me deu vontade de estar mais perto de tu, ando sem muitas perspectivas quanto a isso devido aos últimos tempos, mas não posso dizer que eu não tenha vontade, sabe c.? acho que fico meio assim porque fui me acostumando nesses últimos meses a estar perto, a sentir e receber carinho, e depois que você ficou mais distantinho, continuei sentindo as coisas, e até certo ponto continuei lhe dizendo as fofurices todas, mas já não era a mesma coisa, né? principalmente da sua parte. te quero muito bem, sinto saudade de tu pertinho, de apertar e tudo o mais. sinto saudade da sua presença mais próxima, sinto como se você estivesse meio distante, e é por isso que acho que tô escrevendo. não é pra cobrar, como tu já deve saber, é só pra te dizer o que eu tô com vontade de dizer, já que ando cada vez menos tímida de te falar as coisas.

um beijo bem grande de coração
muita força pra você



(e pra mim)

terça-feira, 14 de julho de 2009

dobrado no fundo da gaveta (ou: as voltas que o mundo dá)

(texto de três anos de idade, escrito na época em que meu coração era de um baiano.
andei relendo e andei sentindo: o baiano em questão está indo de mala e cuia para além-mar.
saudades vão ficar.)


Completei, em março, um ano de namoro, mas só me dei conta de quanto tempo é isso agora, com esse tempo chuvoso que caracteriza o inverno de Recife. Sentindo o cheiro de terra molhada enquanto andava pela rua, a memória olfativa, mais forte que qualquer outra, me remeteu à exatamente um ano atrás, quando eu vivia o delicioso prazer de um começo de namoro. Era sentindo esse cheiro que a gente experimentava andar de mãos dadas e ria da alegria simples de estar com o outro. Era sujando de lama as barras da calça que a gente se dedicava a se conquistar, a e nossa relação tinha a leveza da chuva. Conhecer alguém é tão cheio das vantagens! Não há antecedentes, tudo na sua vida é uma história a contar para o outro; não há o peso de desentendimentos, brigas, ressentimento e dos maus hábitos que a gente cria em decorrência disso. Não foram tomados rumos. Não, só aquele delicioso prazer. De descobrir como o outro dá gargalhadas; ou flagrar um certo rubor no rosto; descobrir que estiveram num mesmo show, ou que adoraram um mesmo filme; descobrir um conhecido em comum.

Lembro de termos gazeado várias aulas na faculdade por conta da chuva. Eu passava a manhã na casa dele, e a gente fumava cigarros enquanto conversava sobre tudo nesse mundo, porque tudo era novidade, inclusive e principalmente a presença do outro. E quando a chuva caía eu sentia cheiro de terra molhada, e a brisa fria que hoje senti de novo. A chuva está definitivamente me fazendo resgatar algumas sensações que se perderam ao longo desse último ano. E já não me reconheço em muitas delas. Eu tinha asas na cabeça e me orgulhava da tranquilidade dos meus pensamentos. A liberdade era o não me preocupar. Eu sinto falta disso, mas só posso culpar a mim mesma das mudanças que meus pensamentos sofreram. Para sentir a paixão e o amor que eu estava me propondo a sentir, precisei me aprisionar em pensamentos que se tornaram recorrentes e aos poucos eu me tornei, com eles, outra. Por exemplo, internalizei o medo de perdê-lo e tornei isso tão meu que já não consigo não me preocupar se ele fala comigo de forma mais fria ou se está irritado e eu percebo que não consigo mais aliviar as chateações dele como antes ("Perto de você os problemas todos parecem ficar menos sérios", me disse certa vez). A dependência emocional que hoje sinto me angustia. Até porque isso não parece atingi-lo. Ele se mostra sempre tão seguro e auto-suficiente. Às vezes penso que se eu chegasse pra ele e dissesse que quero acabar o namoro ele me responderia "tudo bem". E lembro das vezes que me vi insistindo para que continuássemos juntos, como se precisasse convencê-lo. Numa dessas vezes ele me disse "eu andei pensando que a gente não tem mais aonde chegar". E essa frase simplesmente não pára de ferir. Tudo era tão promissor e belo naquela época de chuva. Eu me recuso a acreditar que isso tenha se esgotado, que o que a gente tinha pra viver já tenha sido vivido. Eu realmente odeio lembrar que ele disse isso. Acho que odeio porque às vezes considero a possibilidade de ele ter razão.

sábado, 27 de junho de 2009

Não se admire se um dia

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Não sei te dizer o quanto morro e o quanto vivo na tua ausência. Toda vez que escuto essa música fico pensando em te escrever, pra que não esqueças: “faz tempo que não te vejo, quero matar meu desejo, te mando um monte de beijo, ai que saudade sem fim”. Também lembro tanto daquele dia, tu falando que música tão bonita e depois cantando no meu ouvido “morena flor do desejo, ai teu cheiro em meu lençol”, tu num sabe a volta que meu coração dá quando escuto essa música, essas palavras todas alinhadas desse jeitinho nessa sequência melodia ritmo som afeto.


Tu é daqueles sonhos reais, minha vontade de largar qualquer coisa e correr mundo, minha coragem e meu desapego. Minha crença na imprevisibilidade, na surpresa, no coração aumenta tanto porque um dia cruzei contigo. Com dinheiro na mão eu seria capaz de fazer qualquer loucurinha por nossa conta e responsabilidade. Tenho tanta vontade de te ver nu novamente, mais que isso, de te ver todo arrumadinho, cheiroso, uma delícia de homem, pessoa gente boa trocando só palavras boas comigo, diria gil: toda pessoa boa soa bem. Me lembro tanto do dia do nosso reencontro, aquele frio na barriga, eu dava tudo pra viver isso de novo, mesmo não me enganando da minha timidez e aflição. Tu tava tão bonito nesse dia, baiano. Lembro quase tudo da tua roupa, teu tênis, boné, e olhe que não sou nada boa nisso. Lembro de eu entrando no teu carro, tu surpreso com meu cabelo já maior. Eu dava tudo – repito abestalhadamente – pra viver isso algumas vezes todo ano. Lembro tanto de nossa conversa, nosso carinho nesse dia. Estávamos tão bons amigos, somos bons amigos e se formos contar ao todo, nem um mês tivemos de convivência cara a cara. Bateu, mexeu, virgem com virgem, Bahia e Pernambuco, axé, samba, calor, sol, o som do teu carro, teu carro, tua casa, teu cachorro, tua sobrinha linda tão linda, nós dois deitados num colchão no meio da cozinha. Por que essas coisas não duram pra sempre? – pergunto abestalhadamente. Queria muito te ver de novo, estou sentindo uma energia tão boa por tu esses dias, como há muito não. Tu é meu lado mais diferente e por isso me surpreendo. Tu é uma pessoa pra sempre.


Obs.: Outra música que me dá dor no coração de escutar: “pela sua cabeleira vermelha, pelos raios desse sol lilás, pelo fogo do seu corpo centelha, pelos raios desse sol”. Lembro agora daquele dia a gente na praia, despedida - muito engraçado isso de eu recordar com maior intensidade o dia do reencontro e o da despedida – final da tarde, vento na cara, consegui meu deus, com o maior esforço do mundo te dizer que foi bom, muito bom, do resto nem quero falar, parece que ainda é tão recente no meu corpo - embora já tenha corrido o calendário, embora nossos próprios corações já tenham dado voltas - como se fosse coisa novinha em folha, coisa que arrepia lembrar, aqueles instantes, cds, absorvente, sanduíche, celular, coração doidinho, tu falando da tua mãe, teu sotaque dando graça às palavras, eu já prevendo, antecipando, imaginando saudade saudade te quero. Sobrevivi, sobrevivemos. Saudade é uma coisa que mexe com a gente.


Obs2: Por que é tão difícil terminar de escrever isso aqui? Parece que tem ainda 3 litros de coisas, 20 quilos de lembranças, afetos, desejos, 300 milhões de palavras-sentimentos. Por que é tão difícil terminar? - Me pergunto abest...


segunda-feira, 8 de junho de 2009

europa, áfrica e bahia

foi numa encruzilhada, num dia doido, galinhas pretas e rosas brancas nos quatro cantos, exus zombeteiros abrindo caminhos a nos unir, axés, cachaças, atabaques, o preto velho, o caboclo, a pomba gira, a porra toda. tu vinha de branco; eu, de preto. eu branca, tu negro. eu europa, tu áfrica. eu oxum, tu xangô.

foi numa encruzilhada, num dia doido, semáforo quebrado, buzinas histéricas, pressa, multa, atraso, assalto, a porra toda. avenidas engarrafadas a nos unir. eu de carro, tu de ônibus, eu indo, tu voltando, eu sem tempo, tu com calma, tu com alma, eu com medo. tu ia, eu fugia. olhei pro lado, te desencontrei, fui pra bahia.

fui pra áfrica, voltei da áfrica, tu foi pra europa, voltou da europa. nos encontramos numa sexta-feira de oxalá, sexta-feira da paixão, sexta-feira santa, ai, minha santa, que páscoa profana! europa e áfrica se misturando, se confundindo, se fundindo, europáfrica, eurofrica, euca, sonho de unificação, retorno à pangéia, ao éden, ao útero. como seria lindo um filho nosso, café com leite, feijão com arroz, bem-casado, américa.

exus zombeteiros e semáforos quebrados em encruzilhadas, distâncias continentais a nos unir, é mandinga, é destino, é acaso, 6 bilhões e nós aqui, êta terreiro grande!, o mundo inteiro o nosso ilê, pois que somos herdeiros de adão. e é tanto chão, tanto mar, tanto caminho e (pra tu, que és de voar) tanto céu, que nossos encontros não são destinos ou acasos. ah, neguinho, são milagre.

terça-feira, 2 de junho de 2009

sobre coisas urgentes

ao deitar, colocar perna sobre perna, sufocar de tanto cheiro, sentir um calor de estar pertinho, emitir barulhos incompreensíveis, desgrenhar cabelo, coçar barba, puxar pêlos das coxas, apertar bunda, não esquecer dos grunhidos, emendar com uns sussuros, chamando de coisa gostosa, que saudade, não te solto, vem pra mim, etc.
o que pode ter de mais urgente do que sentar no teu colo, tu me abraçando pelas costas, enroscando pela barriga, encostando cabeça, beijando chuachuachuac sem parar, mordendo braço, beliscando perna, vice-versa, o que pode ser mais urgente do que fazereceber uns carinhos-malvadeza euetu, meu deus?
no calendário existem provas, estudos, trabalhos à vista. por conta disso pode até bater uma culpa, mas sei que a culpa maior seria abdicar do outro querido querendo maisemaisemais, coração tumtumtum.
somos tão desnecessários e não tem coisa mais urgente.


de ouvido, me recordo:
os livros na estante

já não têm mais
tanta importância
do muito que eu li
do pouco que eu sei
nada me resta
a não ser
a vontade de te encontrar
e o motivo eu já nem sei
nem que seja só para estar
ao teu lado só pra ler
no teu rosto
uma mensagem de amor
(herbert vianna)

outras letras assinalam:
em qualquer tempo
seco ou molhado
qualquer quarto
ou morada
(escuro ou claro)
o minuto cobra:
a direção dos pés
a intensidade das mãos
(http://www.palavraedestino.blogspot.com)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

e muito mais

aí depois de uma meia hora falando de sexo e se provocando com palavras, ele se dá conta de algo que faz questão de esclarecer: mas não é só sexo, senão a gente não tinha chegado tão longe. do outro lado de linha eu sorrio e, como sempre tô me lembrando de alguma música, canto pra ele, foi mistério e desejo, e muito mais, foi divino brinquedo, e muito mais... aí ele completa o refrão, com aquela voz grave que eu adoro, se amar como dois animais. ficamos uns segundos calados e aí ele começa dizendo dia desses eu tava falando de tu pros meninos... eu interrompo, tu fala de mim?! é... eu tava falando de como não é só porque tu é bonita e sexy. é a tua companhia, é a tua cabeça, são as nossas conversas, é o teu cheiro. eu digo pra ele que adoro quando ele diz que gosta de mim e como era bom ouvir isso agora, que ele tava sóbrio, porque geralmente ele tá bêbado quando fala dessas coisas. eu digo isso sempre, você que não entende. eu me calo tentando rememorar todas as conversas que tivemos desde: quando mesmo? pra ver se consigo descobrir em que frases estava escondida a deliciosa declaração. não consigo. também não importa, mesmo sem entender, eu sinto, mesmo sem entender, eu vivo, mesmo sem entender, eu sei. é mistério, é segredo, é muito mais.